— Porque é que decidiste que eu ia ficar contente por ver aqui a tua mãe, depois do escândalo que ela armou aqui? Explica-me, simplesmente!

— Porque é que decidiste que eu ia ficar contente por ver aqui a tua mãe, depois do escândalo que ela armou aqui? Explica-me, simplesmente!

A Alina ouviu a porta de entrada estalar na fechadura — o Igor tinha voltado do trabalho. Ela estava junto ao fogão, a mexer os legumes na frigideira para o guisado, e não se virou. Nas últimas semanas, instalara-se entre os dois uma espécie de frieza educada, como se não fossem marido e mulher, mas vizinhos de uma casa partilhada, obrigados a dividir o mesmo espaço.

— Olá — veio do corredor a voz do marido. — Cheira bem.

— O jantar está pronto daqui a dez minutos — respondeu a Alina, seca, sem tirar os olhos do fogão.

O Igor foi à casa de banho; depois ela ouviu-o trocar de roupa no quarto. Quando apareceu na cozinha com umas calças de fato de treino e uma t-shirt velha, a Alina estava a servir a comida nos pratos. Sentaram-se à mesa em silêncio. O Igor pegou no garfo, mas não começou logo a comer; pousou-o e pigarreou.

— Olha, Alina… — começou ele, sem a encarar. — A mãe ligou hoje. Quer vir cá no fim de semana. Chega sábado de manhã, dorme cá e vai-se embora no domingo ao fim do dia.

A Alina ficou imóvel, com um pedaço de pão a meio caminho da boca. Devagar, pousou-o no prato e olhou para o Igor. Ele continuava sem levantar os olhos, a estudar o padrão da toalha da mesa como quem se prepara para um exame.

— Estás a brincar — disse ela, num tom controlado.

— Não, porquê… Ela já não vem há muito tempo, tem saudades. E depois, custa-lhe estar sozinha na aldeia, especialmente agora, com a horta…

— Igor — interrompeu a Alina, e a voz ganhou um timbre de aço. — Olha para mim.

Ele levantou os olhos, a contragosto. No olhar da mulher não viu a raiva que esperava, mas algo parecido com cansaço e desilusão. Era ainda pior.

— Porque é que decidiste que eu ia ficar contente por ver aqui a tua mãe, depois do escândalo que ela armou aqui? — perguntou a Alina, devagar, articulando cada palavra. — Explica-me, simplesmente!

O Igor engoliu em seco. Sabia que esta conversa ia acontecer mais cedo ou mais tarde, mas esperava adiá-la o máximo possível. Ou, melhor ainda, que o tempo curasse as feridas e que, de alguma forma, tudo se resolvesse sozinho. Mas pelo rosto da Alina via-se que nada tinha sido resolvido.

— Bem… isso foi há dois meses — começou ele, hesitante. — Talvez não valha a pena…

— Dois meses — repetiu a Alina. — Só dois meses. Igor, ela veio à nossa casa, ao nosso apartamento, que comprámos juntos, onde fizemos obras juntos, que mobilámos juntos. E o que é que ela fez?

— Alina, ela não foi por mal…

— Acusou-me de não cuidar bem de ti! — a voz da Alina tremeu, mas ela recompôs-se. — Entrou no nosso quarto, começou a fiscalizar como é que eu passo as tuas camisas. Abriu o frigorífico e pôs-se a dar-me uma lição sobre como uma “mulher a sério” deve fazer sopa todos os dias. Disse que eu te deixava passar fome porque só faço jantares leves! E isto quando foste tu que me pediste para cozinhar menos — estavas de dieta!

O Igor passou as mãos pelo rosto. Lembrava-se daquela visita. Lembrava-se de cada detalhe daquele domingo de pesadelo, quando a mãe, a Galina Petrovna, veio “ver o filhinho”.

A Alina continuou, e as palavras saíam agora em torrente:

— Verificou o pó nas prateleiras dos livros! Passou o dedo no parapeito da janela! Disse que, no tempo dela, as mulheres sabiam cuidar da casa e não passavam a vida no trabalho. Igor, eu trabalho tanto como tu! Nós os dois chegamos cansados, e nós os dois dividimos as tarefas domésticas por igual. Ou pelo menos era isso que eu pensava.

— E dividimos — murmurou o Igor.

— Então porque é que tu ficaste calado? — rebentou a dor na voz da Alina. — Porque é que ficaste ali, na cozinha, e não lhe disseste uma palavra? Ela esteve meia hora a dar-me uma descompostura, e tu ficaste só a olhar, calado, como um poste! Eu estava à espera que me defendesses, que lhe dissesses que ela estava errada, que estava a ser desrespeitosa. Mas tu não disseste nada.

Era verdade, e o Igor sabia-o. Não dissera nada porque estava habituado a calar-se desde pequeno. Habituado a que não se discute com a mãe, a que ela tem sempre razão, a que a palavra dela é lei. A Galina Petrovna criou-o sozinha, depois de o pai ter ido embora quando o Igor tinha cinco anos. Trabalhou em dois empregos, passou fome, dormiu pouco, mas fez dele alguém, deu-lhe estudos. E o Igor cresceu com um sentimento de dívida eterna para com a mãe, com a sensação de que lhe devia tudo. Absolutamente tudo.

— Eu não sabia o que dizer — confessou ele, em voz baixa.

— Não sabias? — a Alina soltou uma risada amarga. — Igor, tu és o meu marido. Esse é o teu papel principal agora. Não és o filho da tua mãe: és o meu marido. E devias ter ficado do meu lado.

— Ela é a minha mãe…

— E eu sou a tua mulher! — a Alina bateu com a palma da mão na mesa, e os pratos tilintaram. — Nós construímos uma família. Uma família nova. E nessa família eu não sou criada, nem empregada doméstica, a quem se pode repreender por ter lavado mal o chão. Eu sou a dona desta casa. Ao mesmo nível que tu.

Instalou-se um silêncio pesado. O Igor olhava para o prato que já arrefecera e sabia que a mulher tinha razão. Mas como explicar isso à mãe? Como dizer à mulher que lhe deu toda a vida que, agora, ela já não pode mandar em casa do filho?

— A mãe só se preocupa comigo — tentou ele mais uma vez. — Tu sabes como ela é. Sempre foi superprotetora. Mas é por amor…

— Por amor ou por vontade de controlar? — cortou a Alina. — Igor, a tua mãe tem cinquenta e oito anos. Tu tens trinta e dois. Estamos casados há quatro anos. E mesmo assim ela ainda olha para mim como se eu fosse uma oportunista que lhe roubou o filhinho. Ela não respeita o nosso casamento. Não me respeita a mim.

— Não é assim…

— É, sim! — a Alina levantou-se, deu alguns passos pela cozinha. — Igor, eu tentei. A sério que tentei. Convidei-a para as festas, cozinhei os pratos preferidos dela, pedi-lhe conselhos para que se sentisse importante. Liguei-lhe, perguntei como ela estava, interessei-me pelas coisas dela. Enviei-lhe encomendas com presentes. Mas, por mais que eu fizesse — nada estava bem, nada correspondia aos padrões dela.

Parou junto à janela, a olhar a cidade ao entardecer. Do outro lado do vidro piscavam as luzes dos candeeiros; lá em baixo, ouviam-se risos, a vida normal a acontecer. E ali, no aconchego do seu T2 no quarto andar, algo importante estava a ruir.

— Lembras-te — continuou a Alina, sem se virar — de no ano passado, no teu aniversário, eu ter feito um bolo? Estive três horas a lidar com aquela mil-folhas, porque tu tinhas mencionado que, em pequeno, a tua mãe o fazia para ti. Eu queria agradar-te. E o que é que a tua mãe disse quando provou?

O Igor lembrava-se. Lembrava-se de como o coração se apertou quando a mãe torceu a cara e disse: “O creme está demasiado gordo, as folhas não ficaram bem embebidas. Enfim, o que é que se pode esperar, se hoje em dia as raparigas já não aprendem a cozinhar como deve ser.”

— Ela não quis magoar-te — opôs-se ele, fraco.

— Ela nunca “quer” magoar — a Alina virou-se, e o Igor viu lágrimas nos olhos dela. — Mas magoa. Sempre. Com cada palavra, com cada olhar. Em cada visita, deixa-me claro que eu não sou suficientemente boa para o filho dela.

— Alina…

— Deixa-me acabar — ela levantou a mão. — Aquela última visita foi a gota de água. Quando ela foi embora, eu chorei a noite toda. Tu dormiste naquele quarto — apontou para a sala — porque não querias falar. E eu fiquei no quarto a pensar: para quê isto tudo? Para quê viver numa casa onde me sinto uma estranha? Onde a minha sogra acha que tem mais direitos do que eu?

O Igor gelou. Sabia que aquela discussão tinha sido séria, mas não percebia o quanto tinha ferido a mulher.

— Pensaste em divorciar-te? — conseguiu perguntar, com dificuldade.

A Alina ficou em silêncio e depois acenou que sim.

— Pensei. A sério.

Essas palavras atingiram o Igor como uma bofetada. Sempre achara que o casamento deles era sólido, seguro. Sim, havia desentendimentos, como em qualquer casal, mas nunca imaginou que pudesse chegar ao divórcio.

— Mas eu amo-te — disse a Alina, e a voz suavizou-se. — Por isso ainda estou aqui. Por isso estou disposta a dar-nos uma oportunidade. Mas só com uma condição.

— Qual?

Ela aproximou-se, sentou-se em frente dele e pegou-lhe nas mãos. Os dedos dela estavam frios.

— Igor, eu não te proíbo de falares com a tua mãe. Ela é a tua mãe, tu amas-na, e isso é normal. Mas eu já não vou permitir que ela entre nesta casa e se comporte como se eu não fosse ninguém. Entendes?

— Ou seja, queres que eu lhe proíba de vir cá?

— Não — abanou a cabeça a Alina. — Eu quero que tu fales com ela. Como um homem adulto com a própria mãe. Explica-lhe as regras. Ou ela vem como convidada — educada, respeitosa, sem exigências nem sermões — ou então não vem de todo. Aqui é o meu território, o nosso território. E eu não tenho de tolerar desrespeito dentro da minha própria casa.

— Mas como é que eu lhe digo isso? — o Igor passou a mão pelo cabelo, perdido. — Ela vai ficar ofendida, vai achar que eu te escolho a ti em vez dela…

— E é assim que tem de ser — disse a Alina, firme. — Igor, na Bíblia está escrito: “Por isso, deixará o homem pai e mãe e unir-se-á à sua mulher.” Isso não quer dizer deixar de amar os pais. Quer dizer construir uma nova família, onde os principais são o marido e a mulher. E os pais passam a ser família alargada, que tem de respeitar limites…

O Igor ficou em silêncio. A vida inteira tivera medo de magoar a mãe — medo das lágrimas dela, dos ressentimentos. A Galina Petrovna sabia manipular a culpa; era a arma dela. “Eu dediquei-te a minha vida inteira”, “Por tua causa abdiquei de ter vida pessoal”, “Então eu não mereço o mínimo de respeito do meu filho?”. O Igor ouvia estas frases desde a adolescência, sempre que tentava mostrar alguma independência.

— E se eu não conseguir? — perguntou ele, em voz baixa. — E se não for capaz de a convencer?

A Alina apertou-lhe as mãos com mais força:

— Então vais ter de escolher, Igor. Eu não vou viver em stress constante, à espera de mais uma visita da tua mãe e de mais humilhações. E ainda…

— Ainda o quê?

— Nós deixamos de a ajudar, se ela não aprender a respeitar-me — disse a Alina, com firmeza. — De todo. Nem com dinheiro para obras na casa, nem com compras, nem com idas ao médico. Estou cansada de investir esforço e dinheiro numa pessoa que me considera indigna do filho.

Aquilo era um ultimato. Duro e sem margem para negociação. O Igor percebeu que a mulher não estava a blefar.

— Dá-me até amanhã de manhã para pensar — pediu ele.

— Está bem — a Alina levantou-se. — Mas a decisão tem de ser rápida. Disseste que ela quer vir no sábado. Hoje é terça-feira. Tens três dias para lhe ligares e explicares tudo. Se não o fizeres, faço-o eu. E acredita: a minha conversa com ela vai ser muito menos diplomática do que a tua poderia ser.

Saiu da cozinha. O Igor ficou sentado à mesa, com o jantar já frio. Na cabeça, rodopiava um carrossel de pensamentos. Como é que chegara ao ponto de ter de escolher entre a mãe e a mulher? Embora… será mesmo escolher? Ou será, simplesmente, altura de crescer e aprender a estabelecer limites saudáveis?

Nessa noite, o Igor quase não dormiu. Revirou-se na cama; ao lado, virada para a parede, estava a Alina. Ele sabia que ela também não dormia, mas os dois ficaram calados, mergulhados nos próprios pensamentos.

De manhã, o Igor tomou uma decisão.

Ao pequeno-almoço, disse à mulher:

— Vou ligar à mãe hoje à noite. Digo-lhe que pode vir, mas só se se comportar como uma convidada. Sem sermões, sem críticas, sem inspeções.

A Alina olhou-o com atenção:

— Estás mesmo disposto a fazer isso?

— Não sei — admitiu ele, com honestidade. — Mas tenho de tentar. Porque não te quero perder. E porque… provavelmente já chega de ser o menino da mamã e está na hora de ser um homem que responde pela sua família.

Pela primeira vez em muito tempo, a Alina sorriu-lhe — não um sorriso forçado, mas verdadeiro.

À noite, o Igor marcou o número da mãe. Atenderam ao terceiro toque.

— Igorinho! — a voz alegre da Galina Petrovna. — Então, já falaste com a Alina? Eu já comecei a arrumar as coisas, quero levar-vos uns frascos de compota e uns pepinos em conserva…

— Mãe, espera — interrompeu ele. — Temos de falar. A sério.

Do outro lado, instalou-se uma pausa cautelosa.

— Aconteceu alguma coisa?

— Mãe, podes vir. Mas com uma condição.

— Com que condição agora? — a voz ganhou notas metálicas.

O Igor inspirou fundo. Era mais difícil do que imaginara. Mas lembrou-se das lágrimas da Alina, das palavras dela sobre divórcio, e encontrou forças para continuar:

— Tens de te comportar como convidada na nossa casa. Sem críticas, sem inspeções, sem dizer à Alina o que deve ou não deve fazer. Este é o nosso apartamento, a nossa vida. E se não consegues respeitar a minha mulher, então é melhor não vires de todo.

Seguiu-se um silêncio longo e pesado. Depois a Galina Petrovna falou, e a voz tremia de ofensa:

— Ah, já percebi… Ela lavou-te o cérebro e agora estás contra a tua própria mãe. Eu bem sabia que essa rapariga…

— Mãe! — cortou o Igor, bruscamente, surpreendendo-se ele próprio com a firmeza da sua voz. — Não te atrevas a falar assim da minha mulher. A Alina é uma mulher extraordinária e eu amo-a. E tu… tu estás a ser desrespeitosa. Da última vez, puseste-a a chorar. E eu fiquei calado porque tinha medo de te magoar. Mas isso foi errado.

— Errado?! — a voz da mãe subiu para um grito. — Eu dei-te a minha vida inteira! Criei-te sozinha, meti-te na universidade! E agora estás a empurrar-me para fora da tua vida!

— Eu não te estou a empurrar — disse o Igor, exausto. — Só te peço que respeites a minha família. A nossa casa. As nossas regras. Mãe, eu amo-te. Mas a Alina é a minha mulher. E se eu tiver de escolher, eu escolho-a a ela.

Aquelas palavras soaram como uma sentença. A Galina Petrovna soluçou:

— Então já fizeste a tua escolha.

— Não, mãe. A escolha é tua. Podes vir como uma mãe e sogra que nos ama e que fica feliz por nos ver bem. Ou podes ficar em casa a amuar. Decide.

Ele desligou. As mãos tremiam-lhe. A Alina estava à porta da sala, a olhar para ele com orgulho e alívio.

— Conseguistes — disse ela, em voz baixa.

— Não sei — o Igor passou as mãos pelo rosto. — Ela deve estar a chorar agora. E eu sinto-me o último dos miseráveis.

— Tu não és miserável — a Alina aproximou-se e abraçou-o. — Tu simplesmente cresceste, finalmente.

Os três dias até sábado arrastaram-se, dolorosamente longos. A Galina Petrovna não voltou a ligar, e o Igor não sabia se ela viria ou não. Estava preparado para qualquer desfecho — tanto para a mãe se ofender e não vir, como para aparecer e fazer um escândalo.

Mas no sábado de manhã tocaram à campainha. À porta estava a Galina Petrovna com uma mala pequena e um saco com frascos.

— Bom dia — disse ela, seca.

— Bom dia, mãe — o Igor afastou-se para a deixar entrar.

A Alina saiu da cozinha, limpando as mãos no pano. As duas mulheres cruzaram olhares. Instalou-se uma pausa tensa.

— Bom dia, Galina Petrovna — quebrou o silêncio a Alina, primeiro.

— Bom dia — respondeu a sogra, após um instante.

Beberam chá na cozinha. A Galina Petrovna mantinha-se rígida, claramente a conter-se. Falou dos assuntos da aldeia, dos vizinhos, do jardim. Não fez qualquer comentário. Quando a Alina serviu a tarte que tinha feito para a visita, a sogra provou e disse:

— Está bom. Obrigada.

Foi um pequeno milagre. O Igor respirou de alívio.

À noite, quando a Alina foi tomar banho, a Galina Petrovna sentou-se ao lado do filho no sofá.

— Igor — começou ela, num tom baixo. — Pensei muito estes dias. E percebi… eu comportei-me mesmo mal. Simplesmente… tive medo de te perder. De, de repente, já não ser precisa para ninguém.

— Mãe — o Igor pegou-lhe na mão. — Tu és importante para mim. Mas não como uma fiscal, e sim como mãe. Uma mãe que se alegra com a minha felicidade, em vez de tentar controlar tudo.

A Galina Petrovna acenou, limpando uma lágrima:

— Vou tentar. A sério que vou tentar.

No domingo à noite, ao despedirem-se, o Igor abraçou a mãe:

— Obrigado por teres vindo. E obrigado por… teres entendido.

— Cuidem um do outro — disse a Galina Petrovna, olhando para a Alina. — A família é o mais importante.

Quando a porta se fechou, a Alina encostou-se ao batente e expirou:

— Parece que conseguimos.

— Parece que sim — o Igor abraçou-a. — Isto é só o começo. Mas vamos conseguir.

Lá fora, o pôr do sol apagava-se, pintando o apartamento de tons dourados e rosados. Em casa, voltava a reinar a paz — frágil, conquistada à custa de uma conversa difícil e de decisões duras. Mas era a paz deles, a casa deles, a família deles.

E estavam prontos para a proteger.

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